segunda-feira, 21 de março de 2011

A volta do Fruto Sagrado aos palcos

Na estréia de Vanjor, Fruto Sagrado celebra seus 20 anos e a nova fase, movida pela energia do novo vocalista.
“É incrível como de tempos em tempos Deus move alguma coisa no nosso meio. Hoje, aqui em Vitória, começamos uma nova fase”. Bem mais que abrir o show do Fruto Sagrado, no último dia 21, em Vitória, a confissão do baterista Sylas Jr, soou — por que não? –, perfeita para definir o estado de espírito da banda, que completa 20 anos em 2009. Eles estão mudados? À parte a entrada de Vanjor nos vocais, nem tanto. O repertório permanece basicamente o mesmo dos últimos anos, com músicas dos dois últimos CDs, Distorção e O que na verdade somos. Sylas e Bene Maldonado estão seguros como sempre e bem acompanhados pelo tecladista Daniel Tinoco e pelo baixista Marcos Quarterolli. Renovados, talvez, seja o melhor adjetivo pra se usar. A estréia do novo frontman parece ter feito a banda voltar no tempo, e no bom sentido da expressão. Bene, mais solto, agora divide as distorções com o novo vocalista, que apesar do nervosismo de sua primeira apresentação, deu ao fruto a verve garageira que muitos perdem no meio do caminho. “Sabíamos que a entrada de um novo elemento traria uma série de desdobramentos que não poderíamos prever”, explicou Bene, para completar: “A entrada do Vanjor, até pelo fato de ele também ser guitarrista, nos possibilita fazer um rock mais cru e fluido. Eu e Sylas estamos mais livres e entrosados também”.
Mas vamos falar do show. Já passava das 21h e as cortinas do Teatro do Ifes ainda estavam fechadas quando Vanjor entoou os primeiros versos de “O que na verdade somos”. Foi a senha para que o público, formado por 400 convidados, se levantasse da cadeira e formasse um coro em uníssono. E “o que se vê quando se vê” o novo vocal é um garoto de 20 anos, com o que isso tem de melhor. O timbre de voz, ainda cru, é compensado com empolgação de sobra. Nessa toada vieram a pesada ‘Sanguessuga’, ‘Diferente dos Anjos’ e ‘Superman’. Sylas, Bene e Vanjor sabem bem que não são super-heróis, mas nem por isso abandonaram a característica que fez do Fruto uma das grandes bandas de rock do Brasil: a contestação. Depois de “Ninguém me encontrará entre os fracos”, vieram críticas aos ‘ismos’ da sociedade, com “Sangue de Abel” e uma reflexão sobre questões sociais com a ótima “Uma noite de paz”. Nas primeiras cadeiras, um público ainda de pé cantou o ‘Feliz Natal’ em coro aos quatro ventos. Vanjor não conseguia disfarçar o encantamento e deixou o refrão ser cantado somente pelo público. Depois disso ainda vieram “Não quero mais acordar assim” e “a Volta dos que não foram”. Foi o final perfeito para o pocket show, ainda que o público tenha pedido o bis, que não veio. Já fora do teatro, o grupo ainda atendeu a todos com a disposição juvenil de que parecia fazer seu primeiro show. Não deixa de ser verdade. A despeito das desconfianças motivadas pela saída de Marcão, o Fruto está de volta, vivo. Contestador como sempre e garageiro como nunca. Pronto, quem sabe, para mais 20 anos de estrada.

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